Archive for the ‘Clipping’ Category

A Petrobras virou agência de publicidade

06/09/2009

 

petrobras lula e o brasil rico 4

Do Estadão:

Para cumprir a determinação do governo de exaltar o sentimento nacionalista e a tendência estatizante, a Petrobrás redirecionou suas campanhas publicitárias para mensagens de cunho ufanista e patriótico, deixando em segundo plano a exposição dos seus produtos. O pré-sal, cujo marco regulatório foi lançado segunda-feira passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virou o carro-chefe da grande campanha iniciada pela estatal.

A Petrobrás recusa-se a dar detalhes sobre os valores pagos por sua publicidade – trata-se de uma questão de mercado, diz -, mas a Secretaria da Comunicação de Governo (Secom) informou que a verba global da estatal para este ano é de R$ 310 milhões, em contratos com quatro empresas: PPR Profissionais de Publicidade Reunidos Ltda, Master Publicidade, F/Nazca, Saatchi & Saatchi Publicidade Ltda e Heads Propaganda Ltda. Em 2010, ano eleitoral, o valor total para a propaganda e publicidade deverá ser elevado para R$ 480 milhões, de acordo com informações do mercado publicitário.

As agências já estão alvoroçadas com a notícia porque também no ano que vem vencem os contratos. Um dos blocos, hoje de R$ 250 milhões, terá o contrato encerrado em 29 de janeiro; o outro, de R$ 60 milhões, acabará em 18 de março.

A ideia passada por quatro peças publicitárias que estão no ar é que, com o pré-sal, a Petrobrás descobriu a riqueza do futuro para o povo da Nação que só despertou depois da posse de Lula. Isso tudo, num abismo de 7 mil metros, no Oceano Atlântico, num desafio tecnológico sem precedentes. Na propaganda, a Petrobrás diz que é hoje uma das empresas mais admiradas do mundo e a única a já retirar petróleo do pré-sal.

Ao mesmo tempo em que busca provocar em cada cidadão o sentimento de orgulho por ter nascido num País que, segundo a publicidade, já é autossuficiente em petróleo – embora ainda importe óleo leve, o Brasil consome por dia 2 milhões de barris e produz 2,5 milhões, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia -, a propaganda tenta passar para a sociedade a impressão de que a empresa está sendo vítima de injustiças. Principalmente por parte do Senado, que abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades em contratos da estatal.

Isso fica claro no texto das peças publicitárias: “Que país não gostaria de ter uma empresa como esta? Quase tudo que ela produz, ela produz aqui. E é consumido aqui, por brasileiros. É aqui que ela cria tecnologia. É aqui no Brasil que ela investe em cultura, meio ambiente, cidadania. E por ter um compromisso assim, com o seu País, ela é uma das empresas mais admiradas do mundo. A Petrobrás fez história. E está fazendo o futuro.”

Leia na íntegra clicanco aqui.

Meu comentário:

E eu abasteço meu carro pagando uma das gasolinas mais caras do mundo, de  qualidade inferior.

A qualidade é culpa da Petrobras. O valor é culpa do governo, com seus extorsivos impostos.

Quem já viajou para países do Mercosul sabe do que estou falando: Gasolina de excelente octanagem, que rende bem mais que a nossa.

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Lina Vieira 2 X 0 Governo Lula

25/08/2009

Nota de Lina Vieira divulgada hoje, 25 de agosto:

“As duas demissões e os doze pedidos de exonerações dos servidores que integraram a minha equipe, durante o período em que estive à frente da Receita Federal do Brasil, representam um perigoso recuo no processo de fortalecimento das Instituições de Estado do Brasil.

As Instituições de Estado – como é caso da Receita Federal – somente poderão exercer o seu papel constitucional se compostas por servidores que primem pela ética no serviço público, imunes a influências políticas de partidos ou de governos. Os governos passam, o Estado fica e, com ele, os servidores públicos.

Esses colegas são pessoas sérias, de competência inquestionável, cujo único pecado foi o compromisso com um projeto de uma Receita Federal independente e focada nos grandes contribuintes. Natal (RN), 25 de agosto de 2009.
Lina Vieira”

Lina Vieira vai falar no senado sobre "Fisco X Petrobras"

12/08/2009

Do UOL notícias:

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (12) requerimento convidando a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira para prestar depoimento sobre o encontro que diz ter tido com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). No encontro, Dilma teria pedido celeridade em auditoria realizada nas empresas ligadas ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Lina Vieira deverá comparecer à CCJ no próximo dia 18. A oposição já tinha anunciado que ouviria a ex-secretária em outra comissão do Senado, depois de ter frustrada a tentativa de levá-la para prestar esclarecimentos na CPI da Petrobras. O relator da CPI, Romero Jucá (PMDB-RR), rejeitou o requerimento e convidou o secretário interino, Otacílio Dantas Cartaxo, ouvido na terça-feira.

O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), enviou pedido à comissão para que a votação fosse adiada, mas foi voto vencido, assim como o de Inácio Arruda (PCdoB-CE), único representante da base do governo presente na reunião.

Lina Vieira também deverá ser inquirida sobre manobra tributária realizada pela Petrobras que resultou em recolhimento menor de impostos. A ex-secretária foi demitida depois que a Receita Federal se manifestou contra a operação.

(Clique aqui para ler a matéria completa)

Mar de lama: Dilma manda "aliviar" para Sarney

10/08/2009

Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Ex-secretária da Receita Federal demitida por Lula conta os podres do governo.

Do jornal Folha de São Paulo de domingo (09/08/2009)

A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.

 
A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República. A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.

 
“Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney.” A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer. “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney.”

 
Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação.
Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.

 
No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.
Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.

 
A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela “jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita” e, mais, que a ministra “não se encontrou com ela”. “Não houve a alegada reunião”, escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.

 
Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras.
Lina ficou apenas 11 meses e 10 dias no comando do fisco. Ela disse à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) avisou-a que a ordem para tirá-la do cargo “veio de cima”.

 

A Receita começou a vasculhar o clã Sarney em setembro de 2007. Num desdobramento da Operação Boi Barrica da Polícia Federal, o juiz Ney Bello Filho (1ª Vara Federal do Maranhão) determinou a fiscalização sobre Fernando Sarney, a mulher dele, Teresa Murad, e em três empresas da família: Gráfica Escolar, TV Mirante e São Luís Factoring.
Na ocasião, o secretário do fisco era Jorge Rachid. Um ano depois, em setembro de 2008, o juiz, insatisfeito com o resultado do trabalho dos fiscais, expediu novo ofício à Receita, determinando a ampliação da investigação, sob pena de prisão de dirigentes do órgão. Esse segundo despacho judicial ocorreu já na gestão de Lina, que assumira dois meses antes.

 
Em outubro, a Receita começou a montar um grupo especial de auditores de fora do Maranhão. Conforme a Folha revelou na semana passada, 24 pessoas físicas e jurídicas ligadas direta e indiretamente a Sarney estão sob investigação pelo fisco. No inquérito policial, Fernando Sarney já foi indiciado sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

 
Segundo Lina, semanas depois do início da segunda etapa da fiscalização, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, foi até a Receita falar com ela. Disse que a ministra queria ter uma conversa pessoal com Lina, mas não sabia dizer sobre qual assunto.
Erenice é o braço direito de Dilma. Ficou conhecida no começo do ano passado, após a Folha ter revelado que partiu dela a ordem para a elaboração, por funcionários da Casa Civil, de um dossiê com gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 
A ex-secretária da Receita disse se lembrar que o encontro ocorreu no final do ano passado, mas não da data exata. Prometeu localizar suas agendas, mas afirmou que não conseguiu encontrá-las, pois muitos de seus pertences já estão embalados para a mudança de volta para o Rio Grande do Norte, sua terra natal. A Folha pesquisou todos os dias da agenda oficial de Dilma. Não consta nenhuma audiência com Lina.

 
Na data combinada, Lina disse que foi ao Planalto, que foi recebida por Erenice e que aguardou alguns minutos até ser chamada por Dilma.
A Casa Civil não tem nenhuma ingerência formal sobre a Receita, subordinada ao Ministério da Fazenda.

Por medo da CPI, Lula mantém apoio a Sarney

27/07/2009

Folha de São Paulo (27/07/09)

VALDO CRUZ
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apesar de avaliar que a situação do senador José Sarney (PMDB-AP) ficou mais delicada nos últimos dias, o presidente Lula não pretende abandoná-lo por temer perder o apoio dos peemedebistas na CPI da Petrobras.
Lula, contudo, deve reduzir as manifestações públicas em defesa de Sarney e atuar mais nos bastidores a partir de agora. Segundo um assessor presidencial, seu chefe não quer dar motivos para que o PMDB no Senado tenha uma posição hostil aos interesses do governo.

 
O presidente comentou com um aliado que não deseja enfrentar, na reta final do governo, uma nova CPI no estilo da que investigou o mensalão, sobre a qual perdeu o controle e que levou assessores a recomendar que ele desistisse da reeleição.

 
Na avaliação de Lula, se abandonar Sarney, o PMDB pode se aliar a tucanos e democratas e minar a candidatura de Dilma Rousseff -a ministra da Casa Civil preside o conselho de administração da estatal.

 
Dentro do governo, porém, a avaliação é que a crise ficou mais complicada após as revelações da última semana e talvez nem mesmo o aval de Lula seja suficiente para segurá-lo no cargo. Na semana passada, mesmo depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar gravações em que Sarney trata de nomeação de um namorado de sua neta para cargo no Senado, Lula ligou para ele reafirmando seu apoio.

 
No sábado, a Folha revelou que, a mando da Justiça, a Receita realiza uma devassa em negócios da família Sarney. Auditores detectaram elementos que configuram crimes contra a ordem tributária, como envio ilegal de recursos ao exterior e lavagem de dinheiro. Sarney continua dizendo que não irá renunciar. Amigos não descartam a possibilidade de ele pedir licença, a depender do estado de saúde de sua mulher, Marly.

 
Nesta semana, apesar do recesso parlamentar, senadores da oposição prometem se articular pela saída de Sarney. Além de referendar os processos já protocolados no Conselho de Ética, a oposição quer reunir novas denúncias para avaliar se ingressa com mais uma representação.

 

 

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

DOSSIÊ DOS ALOPRADOS: EX-SEGURANÇA DO PRESIDENTE LULA É FUNCIONÁRIO TERCEIRIZADO DA PETROBRAS

Em junho, a Folha revelou que um dos contratados pela Protemp é o petista José Carlos Espinoza, ex-segurança do presidente Lula implicado no caso do dossiê dos “aloprados”, nas eleições de 2006. Espinoza é terceirizado e trabalha desde abril de 2007 na sede da Petrobras em São Paulo, no setor de Comunicação Institucional.

Petrobras, PAC e os aditivos bilionários

26/07/2009

cpi petrobras

Petrobrás é campeã em rever custos

Dez empreendimentos da estatal tiveram elevação no valor dos investimentos, um acréscimo de R$ 4,7 bilhões

Renée Pereira – Jornal O Estado de São Paulo – 26/07/09

Os empreendimentos da Petrobrás são campeões na lista das maiores revisões de custos entre os demais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No total, 10 obras da empresa apresentaram elevação no valor dos investimentos, que representa acréscimo de R$ 4,7 bilhões (sem considerar a Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, cujo aumento foi de R$ 15,57 bilhões).

As alterações bilionárias chamaram a atenção do Tribunal de Contas da União (TCU), que não tem dado folga para a estatal. A investigação de dois empreendimentos já se tornaram públicas: Refinaria Abreu Lima e Comperj, cujos investimentos somam R$ 42 bilhões, segundo o balanço do PAC.

Em nota, a Petrobrás listou uma série de fatores para explicar os aumentos nos custos. Além do impacto da variação cambial, há questões relacionadas a aumento de serviços por causa de descobertas feitas durante as escavações, como rochas de difícil perfuração, que exigem maior esforço dos construtores. Outra justificativa foi “o aquecimento do mercado de petróleo e gás nos últimos anos, que provocou a alta da cotação do óleo, elevação de preço de insumos, como o aço, e limitação de equipamentos disponíveis no mercado”.

Essa foi a explicação da estatal para o aumento de R$ 920 milhões no investimento na plataforma P-53 (Campo de Marlin Leste). No caso do Comperj, que está sendo investigada pelo TCU, a empresa afirma que ainda está em fase de licitação para construção das unidades. Apesar disso, já houve aumento de R$ 500 milhões no custo do projeto.

O setor de logística foi o segundo a registrar maiores aumentos no custo dos projetos. O maior deles foi verificado na construção da via de acesso perimetral da margem direita do Porto de Santos. O volume de investimentos subiu de R$ 55 milhões para R$ 107 milhões, aumento de 94%.

Para um empresário, que pediu para não ser identificado na reportagem, os grandes reajustes de preços nas obras do PAC são sinais de que o programa foi feito de afogadilho. No caso da perimetral, a Companhia Docas de Santos (Codesp) afirmou que a obra foi licitada há cinco anos e, portanto, tem o efeito dos reajustes no valor dos serviços. Além disso, destaca que foram encontrados sítios arqueológicos, que exigiram a elaboração de programas especiais. O mesmo ocorreu por se tratar de uma “obra executada no entorno de bens tombados pelo patrimônio histórico”. Outra justificativa foi a inclusão de novas obras no projeto.

Na avaliação do professor da Fundação Dom Cabral Paulo Resende, essas variações nos investimentos, embora muito acima do razoável, são reflexos de um outro problema do PAC: a lentidão na execução das obras. “Quanto mais demorado for o processo entre a licitação e a execução dos projetos, mais cara será a obra. O tempo vai passando e as propostas iniciais não se sustentam, especialmente num cenário de alta de preços.”

Um exemplo da lentidão do País em tirar seus projetos do papel é a Eclusa de Tucuruí, que está em construção há 28 anos. Só no período entre 2007 e 2009 (desde que entrou no PAC) o valor da obra subiu 48%, de R$ 548 milhões para R$ 815 milhões. Como nos demais casos, as explicações se repetem. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), nesse período foram identificados serviços adicionais, imprevistos geológicos, adequação de equipamentos e desapropriações.

 

Meu comentário: Na iniciativa privada de fato, essa turma já tinha levado bilhete azul.

Dois posts muito explicativos de Reinaldo Azevedo

20/07/2009

A PETROBRAS E OS MANO: A “DESEXPLICAÇÃO” DA ESTATAL

Leram a coluna de Diogo Mainardi desta semana? Eu a reproduzo abaixo, em azul. Quem já sabe do que se trata pode ir direito para o subtítulo “A desexplicação da Petrobras”.

“O hip hop da Petrobras é de MV Bill. Ele canta: “Sou rapper bem! Sou aliado dos manos”. Eu pergunto: quais manos? Algumas semanas atrás, a CPI da Petrobras recebeu uma planilha contendo os contratos assinados pelo departamento de marketing da empresa. Os contratos cobriam só um ano: 2008. E cobriam só uma área da empresa: a área de abastecimento, que até abril deste ano era chefiada pelo petista baiano Geovane de Morais, nomeado por outro petista baiano, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Uma das empresas incluídas na planilha encaminhada à CPI despertou meu interesse: R.A. Brandão Produções Artísticas. Em 2008, ela ganhou mais de 4,5 milhões de reais da Petrobras, em 53 contratos. Ela fez de tudo: de cartilha sobre o meio ambiente (98 000 reais) até bufê em obras de terraplanagem (21 000); de dicionário de personalidades da história do Brasil (146 000) até “design ecológico em produtos sociais” (150 000). MV Bill, o “aliado dos manos”, surgiu nesse momento. Em 2007, ele publicou Falcão: Mulheres e o Tráfico, editado pela Objetiva. O livro é assinado também por Celso Athayde, seu empresário e seu parceiro numa ONG: a Central Única das Favelas – Cufa. A particularidade do livro é a seguinte: seus direitos autorais, em vez de pertencerem a MV Bill e a Celso Athayde, pertencem à fornecedora da Petrobras, a R.A. Brandão Produções Artísticas. Perguntei a Roberto Feith, da Objetiva, o que MV Bill tinha a ver com a empresa contratada pela Petrobras. Ele se negou a responder. Uma repórter de VEJA fez a mesma pergunta à assessoria de MV Bill, que atribuiu a Celso Athayde a responsabilidade integral pelo projeto do livro. Celso Athayde, por sua vez, ao ser indagado desligou o telefone. Como canta MV Bill, em Como Sobreviver na Favela: “A terceira ordem é boca fechada, que não entra mosca e também não entra bala”. A R.A. Brandão Produções Artísticas está registrada em nome de Raphael de Almeida Brandão. Ele tem 27 anos. O capital da empresa, segundo a Junta Comercial, é de 5 000 reais. Como uma empresa dessas, de fundo de quintal, conseguiu ganhar 4,5 milhões de reais da Petrobras é uma pergunta que tem de ser respondida pela CPI. Trata-se de uma empresa de fachada? Ela é controlada por MV Bill e Celso Athayde? Ela realmente recebeu pelos direitos autorais de Falcão: Mulheres e o Tráfico ou limitou-se a fornecer notas frias aos seus autores? Nesse caso, ela forneceu notas frias aos “manos” da Petrobras? Mas há um fato ainda mais escabroso. A R.A. Brandão Produções Artísticas está sediada na casa de Raphael de Almeida Brandão. No mesmo local está sediada também uma segunda empresa: a Guanumbi Promoções. De acordo com os documentos da CPI, a Guanumbi Promoções recebeu – epa! – 3,7 milhões de reais da Petrobras. Somando as duas empresas, portanto, foram mais de 8,2 milhões de reais, em 102 contratos. Na maioria das vezes, elas emitiram notas para os mesmos eventos, com as mesmas datas. Foi assim no caso de uma festa em Mossoró, no Rio Grande do Norte, de um evento de Fórmula Indy, em Indianápolis, e de um agenciamento do Hotel Blue Tree, para a Fórmula 1, em que uma empresa faturou 159 000 reais e a outra faturou 146 000 reais. MV Bill sabe como sobreviver na favela. Ele sabe melhor ainda como sobreviver na Petrobras.”

A desexplicação da Petrobras
Vocês sabem que existe o tal blog da Petrobras, não é? Ele se propõe a explicar tudo o que diz respeito à empresa e a divulgar tanto as questões enviadas pelos jornalistas quanto a íntegra das respostas dadas pela empresa. O jornal O Globo encaminhou questões relativas ao que vai na coluna de Diogo Mainardi. E o que respondeu a Petrobras? Leiam:

Em relação aos serviços citados, informamos que eles estão sob avaliação de comissão interna constituída para apurar eventuais irregularidades. A Petrobras já se pronunciou sobre o assunto, como se pode ver no Blog da Petrobras, no post Respostas da Petrobras ao jornal Folha de S.Paulo, de 14/6. O gerente responsável pelos pagamentos foi demitido por justa causa, por descumprimento de procedimentos internos de contratação da Companhia. Quanto às informações sobre os serviços realizados não é possível fornecê-las agora (domingo, 19/7). O seu correio chegou à Petrobras apenas às 16h50.

Comento
Já não é mais domingo. E as explicações ainda não chegaram. Eu estou enganado, ou, pela primeira vez, o blog admite que coisas estranhas realmente aconteceram? O gerente foi demitido por quê? Não há resposta para nenhuma das dúvidas levantadas por Diogo Mainardi em sua coluna. A empresa existe? Prestou mesmo todos aqueles serviços?

Quanto a MV Bill… O rapper divulgou uma nota, que reproduzo e comento no post seguinte.

(segue o post seguinte de Reinaldo Azevedo)

 

MV BILL DIVULGA NOTA, NADA EXPLICA E AINDA COMPLICA

Então vamos aqui fazer uma síntese das estranhezas no que diz respeito, em particular, a MV Bill, o rapper.

1 – Ele escreveu um livro em parceria com Celso Athayde. Chama-se “Falcão: Mulheres e o Tráfico“;
2 – o livro foi publicado pela Editora Objetiva;
3 – quem publica livros sabe que ou o autor faz contrato com a editora em seu próprio nome, como faço, ou, então, em nome de uma empresa que lhe pertença;
4 – ok, MV Bil e Athayde não são obrigados a seguir o usual, o costumeiro, não é mesmo? Por alguma estranha razão, quem recebe os direitos autorais do livro é a tal R.A.  Brandão Produções Artísticas. Agora leiam a nota que os dois divulgaram. Volto em seguida:

NOTA de ESCLARECIMENTO em relação a coluna publicada na VEJA

Com relação à citação do nosso nome pela revista Veja, na coluna “O hip hop da Petrobras” de Diogo Mainardi esclarecemos que a edição de nosso livro “Falcão: Mulheres e o Tráfico” não teve nem tem nenhum envolvimento da Petrobras, o verdadeiro alvo da publicação.
Seguindo normas do mercado, recorremos à uma produtora privada legalmente estabelecida ( a R.A. Brandão Produções Artísticas ) na qual não temos nenhuma participação societária ou financeira, para nos representar junto a uma editora privada legalmente estabelecida ( a Objetiva ), num processo que não envolveu dinheiro público.
Como se sabe, empresas especializadas representam os artistas nas atividades ligadas a direitos autorais, arrecadação e encargos.
Assim como não nos cabe acompanhar o relacionamento dos nossos fornecedores com terceiros, não faz o menor sentido estabelecer qualquer conexão entre essas partes.
Toda a documentação contratual, inclusive declaração de imposto de renda fruto desse contrato, está à disposição de eventuais interessados.
MV Bill e Celso Athayde

Comento
MV Bill publicou a nota em seu blog. Havia lá, quando li, sete comentários. Só um deles estava devidamente sustentado nos membros posteriores. Os demais, com aquela saúde mental bovina, diziam coisas como: “Parabéns pela nota… Esse Diogo não é nada… Está tudo esclarecido”.

Está? Eu continuo a não entender nada. Ninguém afirmou que a empresa não está “legalmente estabelecida”. Deve estar, não é?, ou a Objetiva não teria feito um contrato com ela — suponho que exista um. O ponto definitivamente não é esse.

O que realmente é interessante é saber que a empresa que representa MV Bill nesse contrato (é só nesse?), além de entender, então, de direito autoral, também é especialista em:
– fazer cartilha sobre meio ambiente;
– fazer bufê em obras de terraplenagem (esta certamente deve ser a atividade mais fascinante);
– fazer dicionário sobre personalidades históricas;
– fazer design ecológico em produtos sociais…

Vá ser eclética assim lá na Petrobras!!! Por esses servicinhos prestados à estatal, a R.A. Brandão levou R$ 4,5 milhões. Alguém especializado em “design ecológico” (!?) em “produtos sociais” (!?) que fornece lanchinho de mortadela em obra de terraplenagem (deve ser esse o significado da palavra “bufê” naquele contexto) merece levar uma grana pela criatividade, não é mesmo?

Com efeito, nada há de estranho nisso tudo, vocês não acham? Raphael de Almeida Brandão (o “R. A. Brandão”) é um rapaz de 27 anos, e a sua empresa fica na sua casa. No mesmo endereço, está sediada também a Guanumbi Promoções. E para quem a Guanumbi presta serviços, leitor amigo? Bidu! Para a Petrobras. Já levou R$ 3,7 milhões.

Diogo Mainardi, pelo visto, descobriu um gênio empresarial. Não é todo dia que uma empresa com capital social de R$ 5 mil consegue contratos com a maior estatal do Brasil que somam mais de R$ 8 milhões. Também não é todo dia que uma organização que serve tubaína em obra de terraplenagem representa uma das estrelas do chamado “business de contestação”.

Mas o que me chamou mesmo a atenção na nota de MV Bill foi este trecho, vazado naquela linguagem típica do mundo dos nem sempre bons negócios: “Não nos cabe acompanhar o relacionamento dos nossos fornecedores com terceiros (…)”

FORNECEDORES? Como assim? O que a R. A. Brandão fornece a MV Bill? Segundo a sua própria versão, tinha entendido que a empresa era uma espécie de sua representante. Ademais, que papo mais torto este!

Não, senhor MV Bill! Quem, como o senhor, tem coisas tão relevantes a dizer sobre a política, sobre o Brasil, sobre os miseráveis, sobre a violência, sobre a ética… Quem, como o senhor, se coloca como um crítico severo das desigualdades, acenando, então, com uma nova ética… Bem, quem é assim, sr. MV Bill, tem a OBRIGAÇÃO de escolher bons “fornecedores” (para usar a sua linguagem) ou bons prestadores de serviço.

Ou será que a sociedade idealizada por MV Bill nada fica a dever à de Lula e de Sarney? Aquela em que os principais beneficiários de benesses nunca sabem de nada?

Os fãs de MV Bill podem decretar: “Está tudo explicado”. E, no entanto, ele próprio sabe que não explicou coisa nenhuma.

Tivesse eu repórteres à disposição, eu os colaria no tal Raphael. Estou curioso para conhecer os múltiplos talentos desse moço, saber o tamanho de sua equipe, com quem ele trabalha, como conseguiu ter tantos e tão bons contratos mesmo sendo um novato na área — ou melhor: nas áreas. E também gostaria de saber quem, além de MV Bill e Athayde, compõe o seu elenco de artistas e/ou pensadores.

Raphael Brandão! Eis o nome do geniozinho que presta serviços à Petrobras e é “fornecedor” de MV Bill.

Petrobras e Sarney, tudo a ver

09/07/2009

Petrobras sarney CE

Clipping do portal IG – Último Segundo

SÃO PAULO – A Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República – desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobras repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel. As informações são do jornal “O Estado de São Paulo”.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
 
 
 
A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. A Petrobras repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos.
O projeto de Sarney foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005 e está em fase de prestação de contas na pasta. Antes da aprovação, o próprio Sarney chegou a enviar um bilhete ao então secretário executivo e hoje ministro da pasta, Juca Ferreira, pedindo para apressar a tramitação. Em 14 de dezembro, o ministério comunicou que o projeto estava aprovado e, no dia seguinte, a Petrobras anunciou a liberação do dinheiro. Procurada pelo jornal, a Petrobras informou que a fundação foi incluída no programa de patrocínio como “convidada” e por isso não teve de passar pelo processo de seleção.
O objetivo do patrocínio, que a fundação recebeu sem participar de concorrência pública, que a estatal faz para selecionar projetos, era digitalizar os documentos do museu. “Processamento técnico e automação do acervo bibliográfico”, como diz um relatório de contas.
Pela proposta original, que previa o cumprimento das metas até abril de 2007, computadores seriam instalados nos corredores do museu, sediado num convento centenário no centro histórico de São Luís, para que os visitantes pudessem consultar online documentos como despachos assinados por Sarney na época em que ocupava o Palácio do Planalto. Até esta quarta-feira, não havia um único computador à disposição dos visitantes.

Nos últimos dias, o Estado analisou notas fiscais e percorreu os endereços das empresas que a fundação afirma ter contratado para prestar serviços ao projeto. Na relação de despesas, foram anexados até recibos da própria entidade para justificar o saque de R$ 145 mil da conta aberta para movimentar o dinheiro do patrocínio.

Recibo

Em recibo de 23 de março de 2006, em papel timbrado da fundação, Raimunda Santos Oliveira declara ter recebido R$ 35 mil por “serviços prestados de elaboração do projeto de preservação e recuperação do acervo” do museu. Procurada ontem pela reportagem, ela disse que já trabalhou na fundação, mas nos anos 90. “Eu trabalhei lá de 1990 a 1995”, disse. Sobre o recibo, não quis comentar: “Não sei do que você está falando.”

 

 

 
 
A lista de empresas que emitiram as notas revela atuação entre amigos no esforço para justificar o uso do dinheiro. Uma delas, a Ação Livros e Eventos, tinha como sócia até pouco tempo atrás a mulher de Antônio Carlos Lima, o “Pipoca”, ex-secretário de Comunicação da governadora Roseana Sarney (PMDB) e atual assessor do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, aliado da família.
Das 34 notas fiscais emitidas pela Ação, que somam R$ 70 mil, 30 são sequenciais – é como se a firma tivesse apenas a Fundação José Sarney como cliente. Mais: uma das sócias, Alci Maria Lima, que assina recibos anexados à prestação de contas, nem sabe dizer que tipo de serviço a empresa prestou. “Eu assinei o recibo, mas não sei o que foi que a empresa fez, não.”
“Pipoca” é irmão de Félix Alberto Lima, dono de outra empresa, a Clara Comunicação, que teria prestado serviços ao projeto da fundação. As notas da Clara totalizam R$ 103 mil.
Ao jornal, Félix Lima disse num primeiro momento que prestou serviços de divulgação das atividades da fundação. Ele não soube explicar a relação disso com o projeto patrocinado pela Petrobras. “Não sei de projeto, me chamaram para fazer esse trabalho e cumpri isso profissionalmente”, disse. Mais tarde, em outro telefonema, tentou retificar o que dissera: afirmou que a Clara foi contratada para divulgar o projeto.

Outra empresa cujas notas foram anexadas na prestação de contas, o Centro de Excelência Humana Shalom, não existe nos endereços declarados à Receita Federal. Por “serviços de consultoria”, teria recebido R$ 72 mil da Fundação José Sarney. À época, a Shalom tinha como “sede” a casa da professora Joila Moraes, em bairro de classe média de São Luís. “A empresa é de um amigo meu, mas nunca funcionou aqui. Eu só emprestei o endereço”, disse Joila. Ela é irmã de Jomar Moraes, integrante do Conselho Curador da Fundação José Sarney e amigo do senador.  * Com Agência Estado

Ver matéria completa clicando aqui.

 

 

Ex-segurança de Lula atua na Petrobras por movimentos sociais

23/06/2009

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

Envolvido no caso do dossiê contra tucanos, da eleição de 2006, José Carlos Espinoza trabalha no setor de comunicação, em SP

Petista comandou gabinete paulista da Presidência e foi um dos mais próximos auxiliares do presidente; petrolífera é alvo de CPI

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas, José Carlos Espinoza trabalha, desde abril de 2007, na sede da Petrobras em São Paulo.
A Petrobras é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que ainda aguarda sua instalação no Senado.
Espinoza fica no setor de Comunicação Institucional da sede paulista da empresa, mas afirma que sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Ele é terceirizado, contratado pela empresa Protemp, sediada em Santo André.
O diretor de Comunicação da Petrobras é Wilson Santarosa, que tem ligações históricas com PT e movimento sindical. Espinoza é um dos 1.150 profissionais da comunicação da Petrobras, segundo quem ele foi contratado pela “vencedora da licitação para serviços de apoio profissional suplementares às atividades de comunicação”.
Durante a campanha eleitoral de 2006, Espinoza se afastou do gabinete da Presidência para exercer, no comitê de Lula em São Paulo, a função de encarregado da agenda do então candidato à reeleição.
No meio da campanha, foi citado no escândalo da compra do dossiê contra tucanos. Segundo a revista “Veja”, ele se reuniu na sede da superintendência da Polícia Federal com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência, e Gedimar Passos, assessor da campanha, implicados na compra do dossiê. Na época, a PF e os envolvidos negaram o encontro.
Ainda em 2006, após a prisão dos envolvidos na compra do dossiê, a Folha revelou que o apartamento de Espinoza serviu de local para um encontro entre Freud Godoy e Paulo Ferreira, tesoureiro do PT.
Espinoza deixou o cargo no gabinete presidencial depois do caso do dossiê. Ele afirma que pediu a saída por razões pessoais. “Disse que não queria ficar mais no escritório da Presidência, por motivos pessoais”, disse ontem à Folha.
Questionado sobre como surgiu a oportunidade de trabalhar para a Petrobras, afirmou: “Por conta exatamente do meio de campo que foi pedido para eu fazer entre os movimentos sociais e a Petrobras. Conheço o José Rainha [dirigente do MST], o presidente da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar]”.
Ele disse que tinha vontade de trabalhar na área do biodiesel e conversou com algumas pessoas do governo, entre elas Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Informou que hoje acompanha um projeto no Pontal do Paranapanema e um em Mato Grosso.
Por conta da CPI, entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) fizeram atos de apoio à Petrobras em vários Estados e acusaram a oposição de querer privatizar a empresa. Espinoza esteve em um desses atos, em São Paulo.

Reportagem do Jornal Folha de São Paulo de 23/06/09 (na íntegra)

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Repetindo: Princípios Éticos do Sistema Petrobras:

6. O mérito é o critério decisivo para todas as formas de reconhecimento, recompensa, avaliação e investimento em pessoas, sendo o favorecimento e o nepotismo inaceitáveis no Sistema Petrobras.

Blog da Petrobras: Transparência nebulosa II

12/06/2009

Acompanhem: (os grifos são meus)

Publicado no Blog Oficial da Petrobras em 10 de junho sob o título “O Blog é nosso?”:

“O blog Fatos e Dados tem recebido o explícito apoio de milhares de internautas, jornalistas e entidades como ABI, OAB, entre outras, o que demonstra o acerto da decisão da Petrobras de manter um canal de comunicação rápida e direta com o público, dedicado a apresentar fatos e dados recentes da Petrobras, o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e  esclarecimentos solicitados pela imprensa.”

 

Folha de São Paulo pergunta ao blog da Petrobras em seguida:

Pergunta: De que forma a Petrobras soube desse apoio da OAB? Foi pela entrevista aos jornais?

Resposta do blog:  “A Petrobras tomou conhecimento da posição da OAB por meio de declarações publicadas na imprensa.” (N.E. – essa ladainha toda significa simplesmente SIM)

 

Agora leiam a declaração publicada na imprensa a qual o blog se refere:

Declaração de Cezar Brito (presidente da OAB) ao jornal O Estado de São Paulo:

Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, a companhia pode encontrar outras formas de garantir a transparência e a publicação de suas posições em matérias jornalísticas sem quebrar o princípio de exclusividade, que faz parte da essência da atividade. “Não há nada contrário a uma instituição criar um blog como fonte de informação de seu pensamento, é até recomendável. Porém, não é recomendável que se quebrem as cláusulas de exclusividade com os jornalistas. Há uma quebra dos princípios da boa convivência, opinou Britto. Para o dirigente da OAB, a empresa pode não estar buscando desestimular a imprensa a investigá-la, mas produz esse efeito na prática. “Seria bom a Petrobrás rever esse procedimento. A partir do momento em que o jornal não tem a exclusividade, perde o interesse de divulgar como furo jornalístico algumas matérias. Acho que não é uma política correta.”

 

Resumo da ópera:

A declaração do presidente da OAB acima foi o suficiente para que a equipe que edita o blog oficial da Petrobras publicasse, sem consultá-lo, a seguinte frase de auto-engrandecimento:      O blog Fatos e Dados tem recebido o explícito apoio de milhares de internautas, jornalistas e entidades como ABI, OAB, entre outras…

Dando um desconto para a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), cujo jornal interno que editam tem como um dos maiores anunciantes a própria Petrobras (clique aqui para ver, mas veja até a última página!), sobrou como apoio REAL ao blog as informativas e esclarecedoras palavras “ENTRE OUTRAS”.

E depois criticam a imprensa…

 

Em tempo: Isso tudo aconteceu ANTES do blog RECUAR na decisão de publicar a bel prazer o OFF dos jornalistas.