Archive for the ‘Uncategorized’ Category

07/09/2009

FIM (end)

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Orkumate = Orkut + tomate

25/06/2009

Para não dizerem que critico apenas o blog da Petrobras, mostro aqui que sim, a imprensa também erra. O célebre caso do boimate sempre dá suas caras hehehe.

Esta semana o jornal Folha de São Paulo cometeu uma enorme barriga* em reportagem assinada pelos jornalistas Talita Bedinelli e Fábio Takahashi no caderno “cotidiano”, espaço de notícias locais da cidade de São Paulo.

Laura Capriglioni comandou seus pupilos em reportagem sobre a greve dos funcionários da USP – Universidade de São Paulo – baseada, entre outras fontes, em pesquisas feita no site de relacionametos Orkut.

Para quem não conhece, o Orkut é um site majoritariamente freqüentado por jovens e adolescentes, que utilizando pseudônimos, criam milhares de comunidades chamadas “bogus” – simples brincadeiras e molecagens.

A Folha pegou uma dessas comunidades “bogus” e levou a sério seu conteúdo, entrevistando inclusive um perfil “fake” (falso), sem sobrenome,  usando-o como fonte. Colocou isso na sua reportagem, cometendo a barriga do ano da imprensa paulista.

Esse caso caiu como uma luva para que eu pudesse demonstrar aqui que quando a imprensa comete seus erros, tem sim que ser exposta, para que essa exposição a envergonhe a fim de torna-la mais apurada, de qualidade, responsável. Isso não significa querer o fim da imprensa livre, assim como criticar a postura da Petrobras em seu blog não significa querer o seu fim.

Nunca nesse espaço censurei o direito da Petrobras – ou qualquer outra empresa, instituição ou pessoa – se expressar na internet. O que tenho feito é apenas chamar a atenção as artimanhas, erros e interesses por trás dessas iniciativas.

Quando iniciativas bem intencionadas e feitas com excelência, só temos a comemorar e incentivar. Se manipuladas ou pouco transparentes, é dever de todo internauta questionar e criticar, seja o lado que for da moeda.

 

*barriga no meio jornalístico quer dizer publicar um fato falso, mas sem intenção de enganar o leitor. Uma mancada, informação errada.

O verde foi dar uma volta, por isso amarelou.

11/06/2009

 

logo petrobras amarelou CE

A Petrobras informou em seu blog, nesta quarta-feira, que, a partir de agora, passará a divulgar os questionamentos da imprensa e as respostas que deu a eles às 0h do dia previsto para a publicação da reportagem.

O blog, em que a empresa diz apresentar “dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à (CPI)”, gerou polêmica ao divulgar, antecipadamente, respostas a perguntas que jornalistas encaminhavam à sua assessoria de imprensa para a produção de reportagens.

Texto do blog do Noblat

Comemoração com um texto longo

10/06/2009

Pessoal, isso aqui esta bombando e deixando de ser diversão para virar trabalho hahaha… Nunca imaginei essa repercussão, muito menos que iria cabular aula para tentar manter atualizado o blog. Entramos hoje (terça-feira) no TOP 100 do ranking MUNDIAL do WordPress, 58º lugar mais precisamente. Parabéns a todos!

Minha mãe faz cara de preocupação, meu pai incentiva e dá risadas, mas meu maior colaborador e incentivador é meu avô, que está ainda apanhando no teclado com seus 72 anos, mas já manda bem nas pesquisas no Google. Força positiva! 

A proporção de gente sensata, graças a Deus, está aumentando. Dá uma tremenda satisfação ver um bom debate, idéias novas, argumentações elaboradas e alguns incentivos pipocando nos comentários.

Quero aproveitar para tentar explicar o conceito de imprensa livre e sua importância em uma democracia de massa. Muita gente, pelo que leio nos comentários, não entende isso e saem reclamando dos jornalões, dos barões da imprensa, monopólio, etc, etc, etc. Na faculdade é comum aparecer professor com a famosa fitinha VHS “Um Certo Cidadão Kane”, pedindo trabalho de classe após sua apresentação. Aquilo acaba dando nisso (desculpe a frase pronta, hehehe). Ainda bem que na faculdade a pluralidade de opiniões entre os alunos prevalece. Ninguém nos põe cabresto ideológico não. Os tempos mudaram, novas gerações entraram nesses e outros meios. Houve oxigenação.

Um texto anterior a esse, em que falo das corporações, na verdade quase não publico. Não gostei muito do texto, do formato que tomou, não ficou redondo. Mas publiquei porque iria servir de embasamento ao que pretendo expor agora.

Aos que não conseguem entender nada de macro sociedade, o babado é o seguinte: Brasileiros, dêem graças aos céus que temos um baronato da imprensa!

Calma! Guardem os ovos!

Se no post anterior eu comentei que nossa sociedade moderna vive uma espécie de tirania das corporações, então ninguém melhor que corporações de comunicação para contrabalançar esse peso. 

Se fôssemos escravos de um órgão de imprensa apenas, isso seria preocupante, seria o fim da democracia eu diria. Mas temos vários, em várias modalidades, concorrendo entre si. E isso é um patrimônio! Contem nos dedos das duas mãos quantos países tem a diversidade de empresas de comunicação, com a qualidade das que temos.

Lógico, claro, evidente, que dentro de uma corporação de comunicação existe centenas de interesses em jogo. Também concordo plenamente que todas elas falham, causam às vezes danos, alguns até irreparáveis e podem eventualmente derrapar feio. Mas isso é a exceção. Tem jornalista velho de guerra por aí na blogosfera que vive batendo nesses deslizes da imprensa para confirmar sua tese de que nada presta. É um tal Escola Base pra cá, boimate pra lá. Fosse assim, não poderíamos mais voar, pois aviões eventualmente caem, seria mais seguro eliminar a polícia, pois às vezes uma bala perdida mata um inocente, e por aí vai. Mas vivemos em sociedade, populosa, aglutinada e complexa. Temos, na verdade, que estar sempre alertas para que essas exceções não virem regra. E não é o nosso caso em nenhum desses exemplos citados. Ao velho jornalista, convido-o a ir morar dentro do guarda-roupas do seu quarto, onde estará livre de qualquer risco e azar, e prometo diariamente enfiar por debaixo da porta um prato de comida sendo que aos sábados entregarei gentilmente um exemplar de revista Veja para ele manter-se feliz e informado hehehe.

O maior capital de qualquer empresa de comunicação é sua credibilidade. Sem credibilidade, não há leitores/espectadores, não rola anúncios e grana. Simples assim. Então, mesmo os tais “porcos capitalistas”, que comandam essas corporações, por preservação procuram manter a linha. A concorrência cuida do resto.

Ninguém é obrigado a ler ou ver nada – primeiro ponto. Segundo, o poder que essas empresas têm serve de freio para o abuso das outras grandes forças, como corporações industriais e comerciais, governos, igreja, etc. Mas que seja obedecendo cada regra do jogo, das leis compactuadas na constituição.

Dentro dessas empresas, trabalham pessoas dos mais variados matizes ideológicos. Arrisco dizer que quanto mais novos na profissão, mais à esquerda são muitos jornalistas, sendo que com o tempo vão se tornando mais neutros, é da vida. Já os cargos de chefia respondem diretamente ao “patrão”, e por conseqüência são mais maleáveis ao tal sistema (eita palavrinha que detesto!). Mas ainda assim, sempre que puderem, também eles farão uso da sua ideologia guardada. Todos temos as nossas.

Um ponto que joga a favor é que essas empresas são grandes e ramificadas. Isso faz com que não exista verdadeiramente um só dono, mas alguns, quando não muitos. Manter grandes grupos de comunicação em funcionamento demanda muito dinheiro, e a maioria dos conglomerados no Brasil tem participação acionária de investidores. Investidores que não são trouxas e preservam ao máximo a galinha de ovos de ouro do negócio, que é a credibilidade. Isso tudo dito de maneira bem rasa e resumida, pois aqui é um blog.

Então, não vamos achar que blogs, jornalecos independentes e coisas do tipo vão alicerçar a democracia de uma nação do nosso porte, porque não vão. Órgãos oficiais de governos então, um horror. Somente corporações constituem cacife para investir em matérias investigativas, em profissionais, em tecnologia, em peitar de vez em quando outro tubarão. É essa lógica, mesmo com a internet, que vai continuar.

Os grandes portais futuramente terão o peso desses meios mais tradicionais. Imagine se um blogueiro independente de sucesso, que ganha sei lá, 10 mil reais por mês em links e patrocínios do Google, vai ter fôlego financeiro para fazer algo do tipo. Ele conseguiria viajar para vários estados coletando informações? Outros países? Pagar pesquisadores? A blogosfera é, na essência, um complemento muito mais opinativo das pautas levantadas pela grande imprensa.

A revolução que estamos presenciando com a internet deverá causar uma maior pulverização do poder, mas nada muito radical. O grande barato é, e será, cada vez mais a facilidade da mobilização on-line que cria fatos, que virarão notícia nos jornalões e que depois atingirão a massa. Esse é o real pulo do gato.

A verdade, resumindo, é que vivemos em um mundo de poucos poderosos, que precisa de gente do mesmo calibre se digladiando para manter o equilíbrio. Achar que um país democrático, sem esses pesos e contra-pesos seria melhor é uma total falta de visão macro da sociedade.

Nossa obrigação é estar sempre alerta: com o governo, com as empresas, com ONGs, com a tal mídia. Rezar para que não sentem todos numa mesa e acordem a pax entre eles hehehe. Mas felizmente, devido à diversidade de agentes e interesses, isso é praticamente impossível.

Quanto mais poderosos e diversificados, melhor para nós simples mortais. O que a Globo, Folha, Estado, Record, Abril e outros fazem acaba ajudando a estimular o debate.

Eu leio jornais, assisto telejornais, acompanho a internet, e politicamente, sendo bem isento no que vou dizer, vejo bala saindo para todos os lados. Lula leva ferro aqui com CPI, Serra leva ferro lá com sua cratera do Metro. Algumas vezes aliviam aqui, outra lá, mas na geléia geral, sobra para todos, e isso que é o bom da brincadeira. Um político, ao meu ver, tem que ter peito para encarar a vida pública. Se não tem, não presta. Se precisa de macaquinhos protegendo e adulando, coisa boa não é.

Finalizando, isso só é possível contando com a grande imprensa. Imaginem como seria fácil corromper um dono de jornal de cidade do interior. Chego lá com uma maletinha de dinheiro e tamos resolvidos. Agora imagine corromper toda uma diretoria, chefias e sub-chefias, repórteres e redatores de uma corporação. É bem mais complicado. Seria muita gente envolvida e uma hora vazaria a maracutaia. Se de dez um pular fora, a coisa melou, não é? Acontece uma vez ou outra? Acontece, mas não é a regra. E muitos já se perderam por esses deslizes de credibilidade. Temos casos recentes e frescos para lembrar. Eu, por exemplo, já joguei jornal na lata de lixo por raiva, já boicotei canal de televisão, deletei link de portal. Mas nunca, nem nas horas mais iradas, pensei em extermínio da grande mídia.

Quanto a governos, bem, atenção ao máximo e redobrada. Ninguém quer destronar ninguém, pois cargo político tem prazo de validade. Só não podemos fechar os olhos ou relevar erros porque em outras áreas há acertos. JORNAL EU BOICOTO, IMPOSTO DE RENDA NÃO DÁ. Por isso com governos, como diria o narrador esportivo Silvio Luis, é olho no lance, sempre. Capisci?

Versinhos de cartilha primária para o Gabi entender

09/06/2009

Seu Gabi era funcionário, da Petrobrás

Carguinho comissionado, e outros quetais

Mas fez uma burrada, acertou o próprio pé

Foi demitido, tadinho, levou um olé.

 

Mas seu Gabizinho, que bobo não era

Fez bom pé de meia, e não eram querelas

Pensou um pouquinho, com os seus botões

Vou virar empresário, e soltou rojões

 

Pensou vários meses, meses a fio

descobriu um negócio, ali mesmo no Rio

A idéia era simples, era até genial

Uma locadora, de máquinas pro pré-sal

 

Mas como todo negócio, ele esperto sabia

Não podia se expor, a idéia era seu guia

Então bico calado, saiu pesquisando

Uma fábrica de máquinas, saiu procurando

 

Atravessou o Atlântico, foi até a Hungria

Mostrou seu projeto, e suas garantias

Deixou tudo armado, era só assinar

Mas chegando em casa, quis se matar

 

O dono da fábrica, mas que deslealdade

Postou no seu blog, talvez por maldade

Os planos do Gabi, a idéia do pré-sal

E quem se deu bem, foi uma multinacional

Alguns esclarecimentos a respeito desse blog:

09/06/2009

Muitos reclamam meu anonimato. Pois bem, desde que meu pai introduziu a internet em nossa casa, em 1997, a primeira recomendação foi bem direta: Nunca se exponha na rede.

Fiz esse blog como protesto – já está custando algumas horas perdidas dos meus estudos – e não pretendo me identificar, até porque o que interessa de FATO são as idéias aqui postadas, não minha aparência ou meus DADOS privados.

Não me sinto à vontade, até pelo teor de muitos comentários, em me expor.

Outros estão dizendo que estou ridicularizando os funcionários da Petrobrás, já que coloquei narizes de palhaço nos rostos que aparecem no cabeçalho.

Mais uma vez, reitero meu total respeito a todo colaborador da empresa (os que realmente trabalham e fazem a roda girar), e explico que a idéia do nariz foi exatamente para demonstrar o ridículo do uso de imagem representativa dos verdadeiros trabalhadores, para ilustrar um blog feito para saciar os interesses da diretoria da empresa. Mais coerente seria a face dos dirigentes, com seus ternos Armani, óculos D&G e Blackberry na mão. Ademais, esses personagens da foto certamente são modelos pagos, e se o dono dos direitos da imagem – no caso a Petrobras – tem alguma restrição, basta entrar em contato com o blog. Serei extremamente transparente e publicarei aqui, antes de qualquer providência, o texto na sua íntegra, para apreciação pública.

Layout do blog: como já expliquei, é de domínio público.

Quanto aos erros de português, lembro a todos que não sou jornalista, escritor ou redator profissional. Mas tentarei errar o mínimo, prometo.

A maioria diz: "ó o auê aí ó!"

09/06/2009

Muita gente deve estar intrigada com a quantidade de comentários raivosos que chegam a esse blog. É realmente a maioria. Dos mais de cem comentários de ontem para hoje, deletei apenas dois, pois continham mais palavrões que texto. Aí não dá né? Deixem minha mãe fora disso, por favor…

O interessante é que no blog oficial da empresa Petrobrás isso também está acontecendo. Aqui eu libero, pois não tenho marca nem clientes a preservar. Para uma empresa penso eu ser diferente. Quantos consumidores, acionistas, empregados e fornecedores concordam com a palhaçada que virou o setor de comentários do blog oficial? Ataques à imprensa são rotina, e são ataques bem abaixo da linha da cintura. Partidos políticos da oposição são enxovalhados as pencas e pessoas estão sendo crucificadas abertamente.

Quanto a esse blog e a quantidade expressiva de comentários partidários e ofensivos que recebo, até tenho explicação: O WordPress fornece a indicação de quais locais (sites) o tráfego está vindo. Lendo a listagem vejo que, dos endereços que repercutiram esse espaço entre domingo e ontem, a maioria é de blogs ligados ao partido hoje no poder, o PT.

Eu nem sabia que existia um blog chamado Dilma13 hehehe.

Nesses lugares, sou chamado de falsário, tucanalha, demoníaco, antipatriota e por aí vai. E o povo vem em peso aqui destilar veneno.

Esclareço desde já que não pertenço a partido algum, e minha estratégia quando vou votar é escolher pela pessoa, não pelo partido. Claro que escolho primeiro o candidato ao cargo majoritário e depois sigo escolhendo os proporcionais que sejam do mesmo partido, pois não sou adepto do voto Frankenstein. Mas isso é só pela lógica, não por ter apreço a partido X ou Y.

Mas saindo dessa seara partidária e voltando ao assunto, posso concluir que temos três principais tipos de comentaristas: A manada petista/esquerdista, os nacionalistas puros e os sensatos.

A manada não tem jeito, pois nem lêem o que escrevo e entram apenas para espinafrar. São como torcedores fanáticos de time de futebol, movidos por paixão e ódio ou por interesses mais concretos mesmo, se é que me entendem.

Já os nacionalistas enxergam em qualquer ato de confronto à Petrobrás um ato contra a pátria, e parece ser formado por pessoas de mais idade – constato isso pelo estilo dos textos – talvez ainda contaminadas pelo ufanismo nacionalista dos anos militares.

Os sensatos são aqueles que lêem os posts, tem críticas e sugestões, às vezes mais críticas, mas é do jogo. Ao menos pensam, refletem, tiram conclusões em cima dos argumentos, e com argumentos fazem suas contraposições.

Tem também alguns puxa-sacos (agora é puxassaco?), mas esses são meus amigos, e entraram para dar uma forcinha, por isso relevem hehehe.

A todos, gostaria de dizer o seguinte: Sinceramente, para mim, tanto faz a Petrobrás ser estatal ou privada, pois de um jeito ou de outro ela é uma corporação. Como corporação, aliás, megacorporação, ela está apenas pensando em seu desenvolvimento. Ela é fria e calculista, e não há nada errado nisso. Toda corporação tende primeiro a atender seus interesses. Mesmo sendo estatal, ali dentro existe uma cultura corporativa muito peculiar.

Diferente do que se vê nos comerciais da TV, com operários sorridentes e lustrosos, na vida real cada funcionário é um universo em busca da sua ascensão profissional. Tem gente de todo tipo, desde os que se empenham e vestem a camisa até os picaretas que querem puxar o tapete do vizinho de baia. Vai do pesquisador genial ao diretor corrupto. E isso é em qualquer corporação, estatal ou privada. Mas entendam, mesmo com todos os defeitos, essas corporações servem ao desenvolvimento da nação, e de seus colaboradores diretos e indiretos. Traz lucros para os acionistas, divisas para o país, formam quadros superespecializados, realizam a vida profissional dos que ali trabalham, geram tecnologia. E repito, sejam empresas estatais ou privadas, o roteiro se repete.

A diferença talveZ esteja no grau de corrupção. Fosse privada, teria esquemas com os donos provisórios do poder (governo), sendo estatal também os tem, mas acho que em maior grau. Praticamente toda grande empresa tem que manter uma boa relação com o poder, e isso pode ser feito de maneira republicana ou não, dependendo da seriedade de cada país em regulamentar e fiscalizar essa situação. Posso provar alguma ilegalidade? Não, não posso. Mas a história das grandes corporações, disponível para quem quiser pesquisar, está cheia de exemplos.

Uma dica é assistir o documentário “The Corporation”, dos diretores Jennifer Abbott e Mark Achbar. Claro que ali também existe um viés próprio dos cineastas para ilustrar, ao gosto deles, o tema que propõem – uma estratégia de roteirização legítima. Mesmo assim, filtrando alguns penduricalhos ideológicos, mostra muita coisa concreta para pensar sobre o que são os grandes conglomerados empresariais.

Então amigos nacionalistas, se vocês forem visitar a SUA Petrobrás, lá na sede no Rio de Janeiro, não esperem ser acolhidos como os donos da bodega. Provavelmente vocês não passarão da portaria principal. Se insistir muito, é bem capaz de serem empurrados para a rua pelos seguranças. Também não esperem encontrar e dar abraços no presidente Sérgio Gabrielli, pois o mesmo se locomove de helicóptero ou de carro blindado com escolta. Não vai dar pra pegar autógrafo dele.

Mas quero deixar bem claro que esse espaço não segura a bandeira da privatização da Petrobras. Por mim, deixem do jeito que está, pois desde sua fundação em 1953 ela vem prestando bons serviços. Mas longe de ser exemplar, pois a gasolina batizada nunca esteve tão em voga, e a Petrobrás, através da sua subsidiária de distribuição que responde por 99% da gasolina vendida no país, tem alguma responsabilidade nessa história, deve satisfações. Mas uma Petrobras desnacionalizada não aceitaria nunca, pois como está no cabeçalho desse blog, ela é  (ou deveria ser) do Brasil.

Só gostaria que houvesse coragem de algum futuro governante para blindar a empresa de tanta influência política. Nada radical. Algo como criar uma norma de só convocar para cargos comissionados gente de dentro da própria empresa, gente concursada e com currículo adequado. E muita fiscalização, muuuiita fiscalização. Afinal, ali se falam em bilhões com a naturalidade que comentamos 10 reais.

Essa aposta de confronto da empresa brasileira Petrobras com a imprensa também brasileira é que demonstra pouca sensatez da direção. Parece um tudo ou nada diante da repercussão de negócios suspeitos ainda em investigação pela Polícia Federal, MPF e TCU. Os órgãos federais investigam, a imprensa noticia, é assim em qualquer democracia. A Petrobras deveria ficar calminha, sem chiliquinhos. Fica feio, Sr. Gabrielli, fazer pose de dona de butique chic.

Sobre a chuva de comentários me atacando

09/06/2009

Tenho a impressão que o pessoal que entrou aqui para postar comentários nem ao menos se deu ao trabalho de ler os posts. Todos aparecem com uma cantilena pronta, na ponta dos dedos, e saem detonando tudo e todos.

Isso aqui não é uma falsificação do blog original, é uma paródia. Uma charge utilizando o formato.

O conteúdo, esse sim, representa meu ponto de vista. Só isso, pois não pretendo ser o arauto da verdade absoluta.

Minha primeira intenção foi mostrar como uma empresa do porte da Petrobras, com seus 543429,87 funcionários respondendo pela área de comunicação, mais uns tantos contratados especialmente para fazer o tal blog, foram pouco profissionais.

Porque digo isso? Eu fiz uma cópia em menos de 20 minutos! Não sou jornalista nem webdesigner, sou apenas um fuçador na internet. O layout deles (e por conseqüência o meu também) é um pré-fabricado, sem qualquer desenvolvimento próprio. Os digníssimos nem se deram ao trabalho de “fechar” as possibilidades de uma URL (o nome do endereço eletrônico) parecida com o do oficial. Tanto é que inverti o nome e registrei sem maiores problemas no WordPress. Tivessem usado um endereço próprio, um hotsite direto do seu portal, essa possibilidade não existiria. Agora, me disseram, foi criado um endereço próprio, um “petrobras.com.br/blogdascouves”. Mas se isso foi feito, apareceu apenas ontem (domingo), sendo que o blog da companhia estreou dia dois de junho. Coincidentemente apareceu depois que criei esse.

Como optaram pelo uso de uma ferramenta gratuita, gerada nos EUA, ficaram expostos ao que fiz. Eles poderiam ter aberto mais algumas contas e fechado ao menos os nomes mais parecidos e tal… Mas “sabicumé”, acho que daria trabalho demais hehehehe.

Espero que o pessoal que perfura poços seja mais previdente.

O blog da Petrobras e seus comentaristas

08/06/2009

O mais fascinante nessa celeuma da Petrobras e seu blog é a parte aberta aos comentários dos leitores. O blog comunica em sua apresentação o seguinte texto: “Todos os textos desse ambiente estão abertos para comentários, que passarão pela aprovação de um moderador antes de ir ao ar. O critério para publicação é que não tenham conteúdo ofensivo ou desassociado do tema do site”.

Pois bem, quem disponibilizar algum tempo e entrar na seção de comentários de cada post, perceberá uma enxurrada de textos de apoio a iniciativa, e um ou dois gatos pingados se posicionando contra. Até aí nenhum problema claro, pois ninguém aqui está questionando o direito de uma empresa criar seu blog – o que é até uma tendência hoje em dia, com inúmeros exemplos que poderiam ser aqui elencados.

O problema está no conteúdo dos comentários, a maioria claramente de gente com posição política escancarada, que traz embutido em cada linha de texto um viés anti-imprensa livre, com direito até a sugestões que afrontam qualquer ponderação mínima no trato de questões corporativas de comunicação. São pessoas que acham que a Petrobras pertence a um partido, e que qualquer questionamento da mesma é o mesmo que questionar o governo de plantão. Há ainda, no Orkut e em outros blogs que tocaram no tema, reclamações de pessoas que dizem ter postado críticas a empresa ou aos temas abordados no blog da mesma e que não foram publicados, se dizem censuradas. Fica então a clara impressão que o blog da Petrobras é parcial em relação aos seus leitores, filtrando quem critica e dando espaço a quem enaltece, e pior, deixando que o conteúdo partidário, uma manada antidemocrática e refratária ao estado de direito se apodere do espaço destinado aos leitores.

Fazendo novamente um exercício de simulação, vamos imaginar a seguinte situação: A rede de hipermercados Carrefour cria seu blog. Durante a semana acontece um assalto nas dependências de uma das lojas da rede, onde dois bandidos – um negro e um loiro – são baleados pela polícia. O negro morre e o loiro é internado. Acidentalmente um consumidor, esse de nacionalidade portuguesa, também falece vítima de uma bala perdida. No hipotético blog, a empresa decide formar clara opinião de que a polícia agiu de modo errado, trocando tiros dentro das dependências de seu estabelecimento, e ainda levanta dúvidas sobre como a imprensa cobriu o evento, formando opinião que houve excesso por parte de jornalistas que, em seus textos, sugerem que a segurança do hipermercado não é muito eficiente.

Imaginem agora, que junto ao hipotético texto, somam-se inúmeros comentários de leitores do BLOG OFICIAL DO CARREFOUR, dizendo as seguintes asneiras:

Comentário 1:  Ah, parabéns pela coragem de peitar a imprensa! Bandido bom é bandido morto! Menos dois pra encher nossa paciência!

Comentário 2:  Venho aqui registrar minha satisfação de ler um blog imparcial e a coragem da empresa. A polícia é uma porcaria mesmo, só fazem ações estrambelhadas, são despreparados.

Comentário 3:  A imprensa ta reclamando o que? Menos um dono de padaria pra me roubar na hora de comprar pãezinhos de manhã!

Comentário 4:  A imprensa ta fazendo alarido só porque mataram o negão. Fosse o loiro o morto ninguém tava falando nada.

Comentário 5:  Polícia, para quem precisa? São um bando de analfabetos com arma na mão. A culpa é do governador XXX da Silva que não investe em segurança pública.

 

Fica aqui a pergunta, depois de ler a hipotética historinha acima: É correto uma empresa, OFICIALMENTE, questionar em público o trabalho de duas instituições independentes como a imprensa e a polícia? É correto uma empresa, em SEU SITE OFICIAL, dar guarida a comentários como os simulados acima? Não estou questionando aqui a liberdade de expressão, mesmo as de mau gosto. Cada INDIVÍDUO é livre para expressar – dentro da lei, claro – seus pensamentos. Mas uma empresa pode fazer isso? Ela não representa a totalidade de seus consumidores, que podem concordar ou discordar de certas questões? E seus funcionários, acionistas, corpo dirigente? Todos tem o mesmo posicionamento?

Na minha cabeça, com a pouca idade que ainda tenho, acho que não.

Transparência Nebulosa

07/06/2009

A Petrobras, no seu blog inédito (ainda tô me beliscando pra saber se é oficial mesmo hehehe), tenta demonstrar ao público uma certa transparência no trato com as notícias publicadas na imprensa a seu respeito. Diz que o blog servirá para mostrar como a imprensa brasileira é despreparada, mal intencionada, manipulada, etc, etc, etc (não diz com essas palavras, mas é o que está nas entrelinhas).

Resolveu, numa atitude inédita, acabar com a exclusividade de cada órgão em seguir sua pauta, já que a empresa coloca agora todo contato pré-publicação de uma matéria para todo o público ler. Assim, jornal A vai ficar sabendo o que o jornal B está fazendo e perguntando, que linha está seguindo, ANTES mesmo da publicação (se é que publicará mesmo, pois muitas matérias caem justamente na fase de pesquisa). Enfim, estão colocando no ar o teor de e-mails e contatos telefônicos feitos por jornalistas. Coisa estranha…

Mas, mesmo que a proposta fosse realmente a da transparência, lendo o blog vemos atitudes bem suspeitas. Quando a empresa fala dos seus feitos e acertos, puxam dados comparativos desde a época de Getúlio Vargas. Porém, quando é para falar sobre gastos e suspeitas, usam absurdos vagos como – “ano passado reduzimos significadamente despesa tal”…

Um exemplo: O jornal Folha de São Paulo pergunta sobre despesas com contratação de escritórios de advocacia em épocas bem específicas, ANO a ANO, pois existe a suspeita de direcionamento desses contratos milionários para apadrinhados do partido hoje no poder. A pergunta é BEM ESPECÍFICA:

“-Quais os valores desembolsados pela companhia com essas contratações na área jurídica, com e sem licitação, nos anos de 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009?”

Eis a resposta da Petrobras:

“A Petrobras vem aumentando seu número de advogados próprios, saindo de 250 profissionais em 2003 para os 650 atuais. Consequentemente, a Companhia vem reduzindo os gastos com escritórios externos. Em 2008, por exemplo, houve redução de 23% neste tipo de desembolso quando comparado a 2007. O número de contratações também vem caindo. De setembro a dezembro de 2008, foram encerrados 24 contratos com escritórios terceirizados e, para 2009, está previsto o encerramento de mais 19. De 1998 até hoje, o desembolso com contratações de escritórios jurídicos foi de aproximadamente R$ 230 milhões de reais, sendo que, desse valor, cerca de R$ 50 milhões foram em contratos precedidos de licitação.”

                                  –        o         – 

Primeiro a empresa não apresenta os dados ANO a ANO, o que facilitaria o entendimento se ESSA ADMINISTRAÇÃO ATUAL, petista, gastou mais ou menos que a administração anterior, do PSDB, em contratos terceirizados. No quesito contratação direta, já mostra o inchaço, pois saltou de 250 para 650 profissionais. Faz ainda um auto-elogio enrustido, querendo dizer que no último ano REDUZIU as despesas.

Só que a empresa REDUZIU JUSTAMENTE nos meses em que estourou a crise mundial, coisa que TODA EMPRESA NO MUNDO fez. Vejam que eles colocam detalhadamente os meses de  “setembro a dezembro de 2008”. Usaram um periodo atípico para ilustrar algo que seria uma política de todo o periodo dessa administração. Bem TRANSPARENTE mesmo!

Mas, e de janeiro de 2003 (início do governo Lula) até hoje? Onde está essa informação?

Seguindo o que o tal BLOG da Petrobrás indica, pela omissão descarada, posso deduzir que essas despesas AUMENTARAM estratosféricamente, não posso? Pois foram VAGOS na informação, diria até que foi uma resposta vaselina, de tão escorregadia hehehe…

Vamos fazer um exercício de simulação: Se no ano de 2002 a empresa gastou 100 mil reais com essa rubrica e em 2007 torrou 1 milhão, de que adianta em 2008 ter gasto 970 mil e dizer que abaixou os gastos?

Na verdade, aumentaram em 1000% os gastos em 5 anos, depois cortaram 3% no último ano e se safam dizendo que estão economizando…

Já na hora de mostrar o lucro da empresa, sacam até um gráfico vindo, que COISA, desde a época do governo anterior, vejam só:

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Porque não fizeram um gráfico respondendo à pergunta da Folha de São Paulo?

É essa a transparência?

E a imprensa é a causadora do estrago na imagem da companhia, pois é…