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Mais um dossiê vagabundo do governo Lula sem punição

28/08/2009
Francenildo Costa, um Herói

Francenildo Costa, um Herói

Ontem o STF – Supremo Tribunal Federal – decidiu por apertado placar de 5 a 4 o não recebimento de denúncia feita pelo Ministério Público contra o ex-ministro da fazenda  e atual deputado federal Antonio Palocci Filho e seu então assessor de imprensa Marcelo Netto, referente a quebra e divulgação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

Sinceramente, para mim, foi uma decepção ver a mais alta corte do Brasil rejeitar tão robusta e bem elaborada denúncia do MPF – Ministério Público Federal, alegando não haver ali provas contundentes contra o ex-ministro. Não consigo entender – e já li hoje diversos especialistas também divergindo da decisão do supremo – o porquê da decisão.

Estava o STF decidindo se aceitava ou não o início de um processo judicial contra os acusados, apenas isso. Não havia ali julgamento definitivo que exigisse provas materiais explícitas. A bem elaborada denúncia do MPF era mais cristalina que água: Havia todos os elementos respaldando indícios de crime, um roteiro perfeito com horas e datas, depoimentos relevantes e didáticos de várias testemunhas, uma cronologia exata dos acontecimentos e a motivação clara das ações dos réus.

Eu assisti pela TV Justiça, ao vivo, o voto de cada um dos ministros. Gilmar Mendes, presidente da corte, fez uma pomposa justificativa de seu voto contrário ao indiciamento de Palocci, usando muitas citações. Mas foi principalmente pecaminoso quando alegou que gente simples não tem capacidade de discernir o estado psicológico de outrem, e são (as pessoas simples) facilmente manipuladas pelos órgãos de investigação (discursando sobre o depoimento do motorista do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que o ministro classificou como irrelevante). Nesse momento me senti como uma empregada doméstica que recebe reprimenda da dona da “Casa Grande” por ter – vejam só! – nascido com olhos e ouvidos.

Temos então, um crime com vítima, mas sem criminosos. Está materialmente provado o crime, ele houve! O único beneficiário seria Palocci, e há indícios aos montes na reconstituição dos fatos pelo MPF.

Toco nesse assunto porque desde que iniciei esse blog mantenho-me anônimo. Um dos maiores motivos é justamente esse emblemático caso onde o governo, por meio de seus agentes políticos, usa seu poder para influir nas instituições de Estado, no intuito de devassar e intimidar um adversário vindo do povo. Um simples caseiro foi alvo da mais sórdida manobra na tentativa de desqualificá-lo como testemunha. Tentaram “colar” num cidadão a pecha de mentiroso, interesseiro e vendido, usando artifícios criminosos para o levantamento e manipulação de dados pessoais.

Esperava do STF uma exemplar decisão sobre esse caso. Um recado claro aos agentes públicos sobre suas responsabilidades. Era o momento certo para demonstrar repulsa a uma prática até comum nos dias de hoje, infelizmente, onde o exercício do poder político contamina órgãos de Estado. Foi mais um dossiê vagabundo do governo Lula sem punição.

Por essas e outras que continuarei anônimo. Francenildo, o caseiro, foi derrotado, e com ele cada um de nós simples mortais. Palocci, homem da política, ex-ministro de estado e pessoa possuidora de contatos estreitos nas mais altas esferas de poder, comemorou com champagne. Não temos no Brasil, ainda, um Estado de Direito democrático consolidado. Uma pena.

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Por medo da CPI, Lula mantém apoio a Sarney

27/07/2009

Folha de São Paulo (27/07/09)

VALDO CRUZ
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apesar de avaliar que a situação do senador José Sarney (PMDB-AP) ficou mais delicada nos últimos dias, o presidente Lula não pretende abandoná-lo por temer perder o apoio dos peemedebistas na CPI da Petrobras.
Lula, contudo, deve reduzir as manifestações públicas em defesa de Sarney e atuar mais nos bastidores a partir de agora. Segundo um assessor presidencial, seu chefe não quer dar motivos para que o PMDB no Senado tenha uma posição hostil aos interesses do governo.

 
O presidente comentou com um aliado que não deseja enfrentar, na reta final do governo, uma nova CPI no estilo da que investigou o mensalão, sobre a qual perdeu o controle e que levou assessores a recomendar que ele desistisse da reeleição.

 
Na avaliação de Lula, se abandonar Sarney, o PMDB pode se aliar a tucanos e democratas e minar a candidatura de Dilma Rousseff -a ministra da Casa Civil preside o conselho de administração da estatal.

 
Dentro do governo, porém, a avaliação é que a crise ficou mais complicada após as revelações da última semana e talvez nem mesmo o aval de Lula seja suficiente para segurá-lo no cargo. Na semana passada, mesmo depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar gravações em que Sarney trata de nomeação de um namorado de sua neta para cargo no Senado, Lula ligou para ele reafirmando seu apoio.

 
No sábado, a Folha revelou que, a mando da Justiça, a Receita realiza uma devassa em negócios da família Sarney. Auditores detectaram elementos que configuram crimes contra a ordem tributária, como envio ilegal de recursos ao exterior e lavagem de dinheiro. Sarney continua dizendo que não irá renunciar. Amigos não descartam a possibilidade de ele pedir licença, a depender do estado de saúde de sua mulher, Marly.

 
Nesta semana, apesar do recesso parlamentar, senadores da oposição prometem se articular pela saída de Sarney. Além de referendar os processos já protocolados no Conselho de Ética, a oposição quer reunir novas denúncias para avaliar se ingressa com mais uma representação.

 

 

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

DOSSIÊ DOS ALOPRADOS: EX-SEGURANÇA DO PRESIDENTE LULA É FUNCIONÁRIO TERCEIRIZADO DA PETROBRAS

Em junho, a Folha revelou que um dos contratados pela Protemp é o petista José Carlos Espinoza, ex-segurança do presidente Lula implicado no caso do dossiê dos “aloprados”, nas eleições de 2006. Espinoza é terceirizado e trabalha desde abril de 2007 na sede da Petrobras em São Paulo, no setor de Comunicação Institucional.