Posts Tagged ‘senado’

A pressa no pré-sal

10/09/2009

Lula fez bem em retirar a urgência do seu projeto para o pré-sal, fazendo uma concessão à oposição e mesmo a membros da base aliada descontentes com um certo desprestígio do presidente com a casa. O projeto tem muitas características interessantes, mas peca pela falta de detalhamento.

Se não foi detalhado, urgente não poderia ser!

Estava analisando a criação do tal Fundo Social, uma das pernas do projeto e que deverá receber parte da exploração do pré-sal para ser utilizado apenas em alguns setores da vida nacional.

Eu acho que essa é uma boa idéia, mas restringiria mais os setores agraciados com esse dinheiro. Pelo projeto original se fala em Cultura, Ciência e Tecnologia, Educação, Combate à Pobreza e Sustentabilidade Ambiental.

Muita coisa e tudo sem detalhamento. combate à pobreza assim, genericamente, pode ser até a pobreza da família Odebrecht hehehe.

No projeto, a criação e formatação do tal fundo caberia única e exclusivamente ao executivo, sendo que o fundo ficaria vinculado diretamente à presidência da República.

Cheque em branco assim não tem condições não! Tem que estar detalhadinho como será esse fundo: Quais serão os ocupantes, se por mandato, por quanto tempo, que setores indicarão pessoas, como indicarão, quem fiscalizará, etc, etc, etc. Deixar tudo na mão do presidente – Lula ou o próximo que entrar – é um perigo. E tem que ser mais independente, não colado ao gabinete presidencial.

Esse projeto, só de folhear, precisaria de pelo menos um ano de discussões com a sociedade. Mas se o legislativo arrancou mais 50% do tempo, amanhã pode ser mais. Espero.

Movimento Fora Sarney

22/08/2009

Nesse sábado (22/08) acontecerá em todo Brasil passeatas e manifestações de cidadãos insatisfeitos com a pizza do caso Sarney no senado federal, protestando contra a pemanência do senador maranhense do Amapá na presidência da casa.

Se você estiver disposto a contribuir com um movimento pró-cidadania, PARTICIPE, faça a diferença!

José Sarney representa o atraso, um Brasil arcaico que queremos enterrar

José Sarney representa o atraso, um Brasil arcaico que queremos enterrar

 

Para saber sobre locais e horários em outras cidades, consulte a comunidade do Orkut Fora Sarney.

Aloizio Mercadante, caso perdido

19/08/2009
Mercadante, seu diploma de doutorado e sua nota de 3 Reais

Mercadante, seu diploma de doutorado e sua nota de 3 Reais

Dilma mentiu quanto ao seu currículo acadêmico, Mercadante também. Pelo menos nesse ponto Lula é o senhor da verdade: Ele faz questão de lembrar que não tem currículo nenhum.

And the Oscar goes to…

06/08/2009

sarney lula poderoso chefaoCE 

Em cima da charge de Welder Rodrigues, publicada no Kibeloco.

 

Esperança

31/07/2009

A reviravolta no caso Sarney, onde o presidente Lula mostra-se agora um defensor menos ardoroso do senador “maranhense” do Amapá, é um sinal de esperança no desenrolar da CPI da Petrobras. Segundo noticiou o jornal O Estado de São Paulo, essa mudança de comportamento do presidente do país se deve unicamente à revelação, por pesquisas encomendadas pelo planalto, do desgaste perante a opinião pública da figura do presidente, incluindo ai o de sua ministra-candidata Dilma Roussef.

Mais uma vez, constatamos a força da opinião pública mudando a história da política real. Sabemos que Lula é altamente sensível a qualquer mudança de patamar de sua popularidade, a segunda maior já conquistada por um presidente no Brasil. No caso específico de Lula, é até uma obsessão, dado que ao menor indício de perda de popularidade – o que é até normal em finais de mandato – faz o presidente se esquecer de condutas responsáveis em questões de gestão pública e parta, sem pestanejar, para medidas populistas custe o que custar.

Mas, deixando essa paranóia presidencial de lado e olhando para o fato pura e simplesmente, o lado bom dessa história é justamente a mudança de atitude por parte dos políticos diante de uma massa descontente e amplificada pela imprensa.

Quando postei um texto saudando a instalação efetiva da CPI da Petrobras, alguns me criticaram pelo teor demasiadamente otimista do título do post. Claro que naquele momento, e ainda agora, tenho a exata noção da dificuldade que será investigar qualquer coisa dentro de uma comissão tão desequilibrada pró-governo. São nove senadores governistas contra apenas três oposicionistas, e ainda temos senadores sem voto, suplentes que chegaram à Brasília por pura deficiência do nosso sistema eleitoral que permite tamanho atraso.

Porém, pegando carona no atual “momento Lula”, que começa a dar sinais que deixará seu neo-aliado Sarney queimar na fogueira das denúncias comprovadas sem um apoio tão descarado, podemos imaginar que, com os holofotes da imprensa acesos e focados no andamento da CPI, o desequilíbrio de forças ali possa amainar.

Nunca é demais lembrar como a CPI do mensalão mudou rapidamente de rumo e produziu um documento que acabou em denúncia contra quarenta mensaleiros e derrubou, na cassação e depois nas urnas, um bom tanto de parlamentares.

Enfim, CPIs, mesmo tão desgastadas com a imagem da pizza assando no forno, quase sempre produzem algum efeito prático. Temos algumas para lembrar: A dos anões do orçamento, que terminou com seis parlamentares cassados e quatro que preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade; A do PC Farias, que terminou com o impeachment de Fernando Collor e até a atual da pedofilia, que produziu leis mais severas para o caso.

Sei que o resultado de todas elas sempre é menor do que gostaríamos, pois o jogo político atua com força e o espírito de corpo fala alto. Mas é mais do que muito político apreciaria, Lula inclusive.

"Lula, a pizza, o porquito e o compadrio" – by UOL

18/07/2009

Excelente produção de humor da equipe do UOL vídeos

Comentem à vontade!

UNE das mentiras envergonha estudantes de verdade

17/07/2009

Ontem, quinta-feira, a UNE recebeu o presidente Lula em reunião em Brasília. O assunto oficial era um tal congresso, mas, na verdade, tratou-se de cerimônia para a emissão do recibo das milionárias verbas que o governo federal vem repassando para uma entidade que esqueceu a educação e partiu para a venda de apoio partidário explícito. Como as verbas vêm engordando ano após ano, o acordo comercial UNE-PT-Governo parece estar sendo rentável para os que dirigem a entidade. E o presidente Lula fez questão de ir cobrar pessoalmente que a UNE fizesse direitinho seu papel de cão de guarda remunerado, e promovesse uma ridícula passeata chapa-branca contra a CPI da Petrobras.

Triste constatar que uma organização que representou grandiosamente no passado os estudantes, sempre defendendo um mundo mais justo, agora funcione como um miserável escritório de representação comercial. Deveria, fosse a UNE de ontem, estar pedindo a cabeça de Sarney e não rastejando pró corruptos em troca de ração Frolic.

Por isso e tantas outras que estudantes se afastam cada vez mais dessa entidade, procurando-a apenas para pegar seus crachás de meia-entrada. Participar, debater ou mesmo divulgar uma causa justa tornou-se impossível. Primeiro porque ninguém que tenha bons princípios quer se misturar à política mais canalha que impera lá dentro, segundo porque os donos do cofre da entidade trancaram-se como mafiosos, defendendo apenas a sua estreita e rentável turminha.

CPI instalada, viva a democracia!

14/07/2009

Hoje, terça-feira, 14 de julho, finalmente foram iniciados os trabalhos da CPI da Petrobras no Senado. Após tantas manobras e protelamentos por parte dos senadores que apóiam o governo Lula, e da pressão forte que o planalto exerceu contra as investigações, teremos agora a possibilidade de acompanhar, via TV Senado, quem são os políticos que honram com seus votos recebidos da população.

A CPI, que tem maioria folgada de governistas, contrariou uma tradição da casa ao escolher relator também governista, após ter eleito chapa de presidente e vice. Mas isso não significará muita coisa se cada cidadão exercer seu direito de pressão e exigir isenção e patriotismo na condução dos trabalhos. Teremos que estar atentos e fazendo barulho, para não permitir que tudo termine em forma redonda, coberta de molho de tomate.

A próxima reunião da comissão será logo após o recesso de julho, no dia 06 de agosto às 10hs.

Abaixo, o nome dos senadores que compõem a CPI:

[G] Presidente da comissão: João Pedro (PT-AM)

[G] Vice-Presidente: Marcelo Crivela (PRB/RJ)

[G] Relator: Romero Jucá (PMDB-RR) – líder do governo no Senado

[O] Autor do requerimento: Álvaro Dias (PSDB-PR)

Demais membros:
[O] Sérgio Guerra (PSDB-PE) – presidente nacional do PSDB
[G] Ideli Salvati (PT-SC) – líder do governo no congresso
[G] Gim Argelo (PTB-DF) – vice-líder do governo no Senado
[G] Paulo Duque (PMDB-RJ)
[G] Jefferson Praia (PDT-AM)
[G] Valdir Raupp (PMDB-RO)
[O] Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA)
[G] = Governistas                                  [O] = Oposição

 

O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) finalmente caiu do berço esplêndido e colocou no ar um blog para repassar notícias e informações sobre a CPI. Segue o link:  PETROBRAS BLOG DA CPI

 

         Assista aqui Vídeo Clip da abertura da CPI no YouTube:

Petrobras e Sarney, tudo a ver

09/07/2009

Petrobras sarney CE

Clipping do portal IG – Último Segundo

SÃO PAULO – A Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República – desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobras repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel. As informações são do jornal “O Estado de São Paulo”.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
 
 
 
A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. A Petrobras repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos.
O projeto de Sarney foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005 e está em fase de prestação de contas na pasta. Antes da aprovação, o próprio Sarney chegou a enviar um bilhete ao então secretário executivo e hoje ministro da pasta, Juca Ferreira, pedindo para apressar a tramitação. Em 14 de dezembro, o ministério comunicou que o projeto estava aprovado e, no dia seguinte, a Petrobras anunciou a liberação do dinheiro. Procurada pelo jornal, a Petrobras informou que a fundação foi incluída no programa de patrocínio como “convidada” e por isso não teve de passar pelo processo de seleção.
O objetivo do patrocínio, que a fundação recebeu sem participar de concorrência pública, que a estatal faz para selecionar projetos, era digitalizar os documentos do museu. “Processamento técnico e automação do acervo bibliográfico”, como diz um relatório de contas.
Pela proposta original, que previa o cumprimento das metas até abril de 2007, computadores seriam instalados nos corredores do museu, sediado num convento centenário no centro histórico de São Luís, para que os visitantes pudessem consultar online documentos como despachos assinados por Sarney na época em que ocupava o Palácio do Planalto. Até esta quarta-feira, não havia um único computador à disposição dos visitantes.

Nos últimos dias, o Estado analisou notas fiscais e percorreu os endereços das empresas que a fundação afirma ter contratado para prestar serviços ao projeto. Na relação de despesas, foram anexados até recibos da própria entidade para justificar o saque de R$ 145 mil da conta aberta para movimentar o dinheiro do patrocínio.

Recibo

Em recibo de 23 de março de 2006, em papel timbrado da fundação, Raimunda Santos Oliveira declara ter recebido R$ 35 mil por “serviços prestados de elaboração do projeto de preservação e recuperação do acervo” do museu. Procurada ontem pela reportagem, ela disse que já trabalhou na fundação, mas nos anos 90. “Eu trabalhei lá de 1990 a 1995”, disse. Sobre o recibo, não quis comentar: “Não sei do que você está falando.”

 

 

 
 
A lista de empresas que emitiram as notas revela atuação entre amigos no esforço para justificar o uso do dinheiro. Uma delas, a Ação Livros e Eventos, tinha como sócia até pouco tempo atrás a mulher de Antônio Carlos Lima, o “Pipoca”, ex-secretário de Comunicação da governadora Roseana Sarney (PMDB) e atual assessor do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, aliado da família.
Das 34 notas fiscais emitidas pela Ação, que somam R$ 70 mil, 30 são sequenciais – é como se a firma tivesse apenas a Fundação José Sarney como cliente. Mais: uma das sócias, Alci Maria Lima, que assina recibos anexados à prestação de contas, nem sabe dizer que tipo de serviço a empresa prestou. “Eu assinei o recibo, mas não sei o que foi que a empresa fez, não.”
“Pipoca” é irmão de Félix Alberto Lima, dono de outra empresa, a Clara Comunicação, que teria prestado serviços ao projeto da fundação. As notas da Clara totalizam R$ 103 mil.
Ao jornal, Félix Lima disse num primeiro momento que prestou serviços de divulgação das atividades da fundação. Ele não soube explicar a relação disso com o projeto patrocinado pela Petrobras. “Não sei de projeto, me chamaram para fazer esse trabalho e cumpri isso profissionalmente”, disse. Mais tarde, em outro telefonema, tentou retificar o que dissera: afirmou que a Clara foi contratada para divulgar o projeto.

Outra empresa cujas notas foram anexadas na prestação de contas, o Centro de Excelência Humana Shalom, não existe nos endereços declarados à Receita Federal. Por “serviços de consultoria”, teria recebido R$ 72 mil da Fundação José Sarney. À época, a Shalom tinha como “sede” a casa da professora Joila Moraes, em bairro de classe média de São Luís. “A empresa é de um amigo meu, mas nunca funcionou aqui. Eu só emprestei o endereço”, disse Joila. Ela é irmã de Jomar Moraes, integrante do Conselho Curador da Fundação José Sarney e amigo do senador.  * Com Agência Estado

Ver matéria completa clicando aqui.

 

 

Celebridade gosta mesmo é da revista Caras

28/06/2009

O Sr. Sergio Gabrielli deu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo essa semana e publicada hoje, domingo 28/06 – íntegra aqui. Semana retrasada houve outra entrevista, quase uma coletiva, no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, transmitida a todo o Brasil através da rede de TVs educativas. Li uma e assisti a outra. Nas duas, a percepção que tenho do presidente da Petrobras é de extrema arrogância. O homem não conhece a palavra diplomacia.

Sinceramente, mesmo pesquisando na internet a procura de entrevistas diversas no passado recente, não achei nada parecido a essa postura vindo de um executivo graúdo de empresa que fosse.

Parte da entrevista publicada hoje em que ele coloca um tal de “preconceito contra nordestinos” só porque a imprensa questiona as gordas verbas para festejos regionais intermediadas por ONGs pra lá de suspeitas é seu pior momento. Golpe baixo querendo colocar brasileiros contra brasileiros em defesa de atos que merecem sim investigação.

Alguns poderão achar até válido o posicionamento de Gabrielli, num entendimento de que seria uma defesa aguerrida do seu negócio, da corporação que dirige. Mas por que não temos nada parecido em qualquer outro tipo de conglomerado? O que seria diferente na Petrobras em relação a tantas outras grandes empresas, nacionais ou multinacionais, que daria essa prerrogativa a seu presidente em ser arrogante, raivoso, pouco polido até?

A íntegra da entrevista, como já linkei acima, está disponível na internet. Vou ainda tentar achar uma transcrição do programa Roda Viva para que vocês tenham a oportunidade de analisar também. Gostaria, porém, de pedir a cada leitor desse texto que postasse nos comentários, caso conheça, algum exemplo de dirigente de conglomerado, qualquer que seja, dando caneladas em público iguais as que estamos assistindo protagonizado por Gabrielli. Unzinho só. Eu não achei nada parecido. Se acharem, será com certeza uma exceção.

Gabrielli se diz incomodado com a CPI. Diz que a mesma poderá afetar economicamente a Petrobras, e que apurações do TCU e outros órgãos de investigação já estão prejudicando a companhia. Cumé quié?

Quer dizer que uma investigação legítima do TCU está, segundo suas palavras, atrasando licitações porque funcionários da empresa agora têm que prestar contas? A Petrobras tem 30 funcionários apenas? A sede fica no fundo do quintal da casa do Gabrielli? È de matar de rir tal argumento.

Se só no setor de comunicação trabalham 1150 pessoas – fora os contratados recentemente – ele quer fazer acreditar que o setor jurídico, técnico e outros que provavelmente são acionados para produzir relatórios explicativos de suspeições levantadas pelo TCU ou pelo MPF desestabilizam o cotidiano da mega-super-hiper Petrobras? Estou rindo aqui…

Então significa que montar uma equipe de “crise” de 30 pessoas para acompanhar a CPI e levantar documentos e respostas às inquirições dos senadores também vai atrapalhar a companhia?

A Petrobras tem mais de 75 mil funcionários diretos! Aliás, todos muito bem remunerados, diria até que sobrando em alguns setores (comunicações é um deles). Terceirizados devem passar de 120 mil. Prestar contas à sociedade vai dar trabalhinho é? Vai ser canseirinha?

Insinuar que investigar a empresa é uma maneira de prejudicar a Petrobras é o fim da picada! Qualquer empresa no Brasil, privada, nacional, multinacional ou pública é a princípio alvo de investigação que por ventura pareça necessária, e ponto final!

Se Gabrielli acha que ser alvo de investigação desgasta o sossego de seus diretores e assemelhados, então o que ele diria de uma simples fiscalização da Receita Federal sobre um pequeno comércio? Seria um recado pro dono da bodega gritar “cansei!”, chutar o cesto de lixo e sair arrancando as roupas pela rua?

Vamos pegar como exemplo um simples posto de combustíveis então, já que faz parte do mundo do petróleo. Na estrutura desse posto de abastecimento não existem diretores, coordenadores, nem mesmo assessores de imprensa editando bloguinho. Ali, quando chega um fiscal, ele EXIGE documentos. E o dono do estabelecimento vai ter que se virar pra suprir todas as solicitações LEGÍTIMAS do poder fiscalizador. No máximo, o bravo vai procurar ajuda de um advogado ou contador. E a vida dele e do seu negócio continuam sem maiores problemas. É assim em qualquer cidade do país.

Imaginem também o Sr. Abilio Dinis, dono da CBD (Pão de Açúcar) dando declarações na imprensa peitando senadores e levantando teorias de uma imprensa conspiratória. Seria destituído rapidinho da presidência do grupo, mesmo sendo o controlador. Nenhum acionista ou conselheiro que não fosse miolo mole aceitaria a imagem da empresa que representa sendo arranhada pela impertinência de comentários do tipo. Se fosse caso de executivo contratado, como um Carlos Gosh, da Renaut-Nissan, decerto seria bilhete azul, no ato!

Mas Gabrielli se acha DONO da Petrobras! Não se enxerga como um executivo que está lá para dar, polidamente, satisfações à sociedade, aos acionistas, aos empregados e aos órgãos legítimos de fiscalização e controle. Um presidente de empresa é o porta-voz de toda companhia perante a sociedade, não de si mesmo. É dirigente, não celebridade.

Gabrielli está transformando em briga pessoal uma coisa natural numa sociedade democrática e republicana. Fazer CPI é uma das atribuições do poder legislativo e todo cidadão, do nível que for, tem que aceitar isso. Se existe medição de força política no caso (e toda CPI tem política embutida, é do jogo), caberia ao presidente da Petrobras ficar bem longe dessa cumbuca. Se alguém se acha no direito de gritar contra a imprensa e fazer manobras protelatórias contra a CPI, no meu entender essa tarefa seria dos partidos da situação, assumindo inclusive o desgaste dessas atitudes perante a opinião pública. Já a empresa tem que ser diplomaticamente preservada por seus responsáveis, sempre.

Isso só corrobora a tese de que, antes de ser presidente da Petrobras, Gabrielli é quadro do PT, e que os interesses do PT estão acima dos da Petrobras. É essa a leitura que qualquer ser pensante e sensato faz do quadro atual. E quem perde com essa atitude é a própria Petrobras, que vai arranhando sua imagem graciosamente perante a opinião pública nacional, quiçá no mundo todo, já que parece atuar como apêndice de partido político.